Sistema Sacrificial no Antigo Testamento
Rui César Luizeto[1]
Resumo
Deus deu instruções específicas
para uma padronização de ofertas de sacrifício para que o povo de Israel
pudesse ter uma redenção dos pecados, o povo tinha acabado de contruir o
tabernáculo, precisaria entender como funcionaria o seu culto a Deus, mesmo que
vemos sacrifícios antes do Sinai, foi no pós-exílio egípcio que o Senhor dá
todas as instruções à Moisés para passar a toda congregação e aos sacerdotes,
sistemáticamente como seriam feitas cada uma das ofertas e conduzidas, e o que
representavam para cada área que o povo pudesse estar em pecado, intruções
concebidas em um período de cinquenta dias, mostrando para o povo de Israel
dois caminhos, o caminho com requisitos de comunhão com o Senhor tratando de
sua santificação e a revelação do pecado humano com a maneira de redenção.
Palavras-chaves: Ofertas,
sacrifício, comunhão, santificação, redenção.
Abstract
God gave specific instructions
for a standardization of sacrificial offerings so that the people of Israel
could have a redemption of sins, the people had just built the tabernacle,
would need to understand how their worship of God would work, even though we
see sacrifices before Sinai , It was in Egyptian post-exile that the Lord gives
all instructions to Moises to pass on to every congregation and to the priests,
systematically how each offering and conduct would be made, and what they
represented for each area that the people might be in sin , Instructions
designed over a period of fifty days, showing to the people of Israel two
paths, the path with requirements of communion with the Lord, dealing with
their sanctification and the revelation of human sin with the manner of
redemption.
Keywords: Offerings,
sacrifice, communion, sanctification, redemption.
1 - Introdução
Podemos
encontrar o sacrifício no Antigo Testamento em diversos textos, apesar de não
estar explicíto que o Senhor sacrifícou um animal para suprir a nudez de Adão e
Eva, entende-se que tal fato ocorreu pelo o que está relatado no livro de Gênesis
3:21 – “ Fez o Senhor Deus vestimenta de peles para Adão e sua mulher e os
vestiu”. Encontramos também Noé oferecendo holocaustos sobre o altar levantado
ao Senhor, em Gênesis 8:20 – “ Levantou Noé um altar ao Senhor e, tomando de
animais limpos e de aves limpas ofereceu holocaustos sobre o altar”. Mas a
padronização do Sistema Sacrificial no Antigo Testamento é encontrado no livro
de Levítico, onde Deus estabeleceu de forma sistemática e organizada, o
sacrifício, em dois tipos distintos, holocausto e ofertas, para que o povo de
Israel tivesse a oportunidade de redenção para os pecados e possibilidade de
trilhar o caminho da santidade e comunhão com Deus. Assim que o povo terminou a
construção do Tabernáculo, conforme Deus determinou a Moisés, os israelitas
precisaram receber um padrão de como iriam utilizá-lo, os princípios
fundamentais e requisitos para buscar a santidade e comunhão com Deus.
Os sacrifícios
precisavam custar algo para aquela pessoa, da sua criação precisava ser
retirado o melhor touro, melhor carneiro, não poderia ser apresentado de
qualquer maneira diante do Senhor, teria que ser sempre o melhor.
As ofertas
precisamos ser de forma voluntária, forma de exaltação ao Senhor, pois, de nada
adiantaria seguir todo modelo que Deus deu a Moisés sem que o homem entendesse
o próposito de cada rito e finalidade.
Serão abordados
de forma simples e objetiva os cinco sacríficios e as três ofertas descritas
neste trabalho, como seguem;
Holocausto,
Oferta de Cereal, Oferta de Comunhão, Oferta pelo Pecado, Oferta pela Culpa,
Oferta Movida, Oferta Alçada e Oferta Derramada.
2 – Holocausto
A primeira
oferta de sacrifício no livro de Levítico, holocausto, no Antigo Testamento a
primeira vez que vemos o holocausto é em Gênesis 4:4-5, quando Abel pastor de
ovelhas, entrega a oferta ao Senhor: “ Abel, por sua vez, trouxe das prímicias
do seu rebanho e da gordura deste. Agradou-se o Senhor de Abel e de sua
oferta.” Encontramos a palavra holocausto pela primeira vez na Bíblia em
Gênesis 22:2-13, quando Deus pede a Abraão seu filho Isaque para sacrificá-lo
ao Senhor, dando a entender que a prática do sacríficio de holocausto vem antes
do Sinai, como segue abaixo:
Acrescentou Deus: Toma teu filho, teu único filho,
Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá, oferece-o ali em holocausto,
sobre um dos montes, que eu te mostrarei [...] perguntou-lhe Isaque: Eis o fogo
e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto? Respondeu Abraão: Deus
proverá para si, meu filho, o cordeiro para o holocausto; e seguiram ambos
juntos [...] Tendo Abraão erguido os olhos, viu atrás de si um carneiro [...] e
o ofereceu em holocausto, em lugar de seu filho.
A palavra holocausto[2] vem do grego holokautoma, conforme descrito no Dicionário Strong o3646 e
significa oferta totalmente queimada, no hebraico é a palavra עלה òlah significa oferta queimada, subir, escada, degraus, de acordo com
o Dicionário Strong h5930. Várias
gerações passadas Deus faz a padronização dos sacrifícios, encontramos no livro
de Levítico o procedimento que os homens e os sacerdotes deveriam fazer para o
sacrifíco de holocausto, em Levítico 1:2, um animal como gado bovino ou caprino
como objeto para o sacrifício, sendo que deveria ser sempre macho, sem defeito ou
aves como rolas e pombinhos conforme encontramos em Levíticos 1:14, estes
último sem distinção de sexo.
No caso do
holocausto de gado bovino, macho e sem defeito, o oferente deveria levar até a
porta da congregação para que o homem que está ofertando o animal fosse aceito
diante do Senhor, colocando a mão sobre a cabeça do holocausto, para que fosse
aceito a seu favor, para sua expiação[3],
encontramos no dicionário bíblico quer dizer cobrir, expiar, reconciliar,
pacificar, sacrificá-lo para cobrir o pecado, o próprio oferente imolava o
animal e entregava aos sacerdotes, que por sua vez pegavam o sangue do animal para
apresentarem o sangue e aspergir[4],
significa espalhar em abundância, conforme descrito no dicionário bíblico, com
movimentos circulares sobre propiciatório em volta do altar que estava diante
da porta da tenda da congregação, conforme descrito em Levíticos 1:3-5, e
arrancando o seu couro e cortando o animal nas juntas dividindo-o em seus
pedaços, e os filhos de Arão, o sacerdote, colocando em ordem a lenha no fogo do altar,
arrumando tais pedaços em ordem como primeiro a cabeça e em seguida a gordura
sobre a lenha que estaria queimando no altar, retirando as entranhas e as
pernas e lavando-as com água e depois queimando tudo isso sobre o altar,
conforme descrito em Levíticos 1:6-9.
No caso da
oferta ser de gado miúdo, carneiros ou cabritos, para holocausto, trará macho
sem defeito e imolará para o lado norte do altar ou seja do lado direito do
altar perante o Senhor, os sacerdotes também recolhendo o sangue do animal e
aspergindo em redor e sobre o altar, cortando-o nas juntas, colocando a lenha
em ordem no fogo sobre o altar e colocando os pedaços do holocausto em ordem,
primeiro a cabeça e depois a gordura, lavando as pernas e entranhas com água e
depois oferecendo tudo isso e queimando sobre o altar, oferta queimada de aroma
agradável ao Senhor, encontramos descrito em Levítico 1:10-13.
Se a oferta ao
Senhor fosse de holocausto de aves, conforme encontramos descrito em Levítico
1:14-17, o oferente trazia a sua oferta de rolas ou de pombinhas, onde o
sacerdote levava até o altar e com a unha destroncava a cabeça da ave, sem a
separar do pescoço, colocando para queimar sobre o altar, fazendo o seu sangue
correr pela parede do altar, retirando o papo com suas penas e jogando para o
lado oriental ou leste na frente do altar onde ficam as cinzas, rasgava pelas
asas, porém não partindo-a, o sacerdote colocava sobre o altar, queimando em
cima da lenha que estava no fogo, pois era holocausto, oferta queimada ao
Senhor.
Em todos os
três casos acima o oferente sempre trazia o animal que seria oferecido ao
Senhor, para expiação dos seus pecados, na porta da congregação e sempre
colocava a mão na cabeça do holocausto para a sua expiação.
Em Levítico
6:8-13, encontraremos mais instruções para os sacerdotes acerca da lei do
holocausto, onde o holocausto ficava na lareira do altar toda a noite até pela
manhã, e nela se mantendo aceso o fogo do altar. O sacerdote precisava vestir a
sua túnica de linho e os calções de linho sobre a pele nua, e pegando as cinzas
ficavam de frente e abaixo do altar junto com os papos ou esofagos dos animais,
que do o fogo acabava de consumir o holocausto, depois precisava trocar de
roupa e levar a cinza para fora do arraial a um lugar limpo. O fogo do altar
nunca poderia se apagar, com isso a cada holocausto teriam sempre que colocar
mais lenha sempre em ordem, para queimar os holocaustos. Encontramos em Êxodo
27:3 os utensílios que o sacerdotes usavam para fazer este trabalho de recolher
as cinzas, eram: pás, bacias, garfos, braseiros, todos estes feitos de bronze, além
de uma grelha também feita de bronze em forma de rede com quatro argolas nos
seus quatro cantos, essa grelha precisava ficar na parte de baixo do altar, de
maneira que a rede chegasse até o meio do altar, como descrito no verso 4 e 5
do capítulo 27 de Êxodo.
O holocausto ou oferta queimada subindo como
cheiro agradável ao Senhor, era um ato voluntário que significava a propiciação
do pecado, rendição e adoração a Deus, expressado de uma forma clara o
arrependimento pelos pecados e a certeza do perdão que o Senhor proporcionava
ao homem, apontando que ele precisava buscar uma redenção e uma vida de
santidade , assim apagando e limpando os seus pecados diante de Deus. Não era a
solução para a vida eterna, mas, a conformidade e obediência ao modelo que o Senhor
instituíu para aquela época, para o povo de Israel.
3 - Oferta de Cereal
Oferta
de Cereais também conhecida como oferta de manjares ou oferta de farinha ou
ainda tributo, também era voluntária, era a única oferta que não tinha
derramamento de sangue, um sacrifício de agradecimento voluntário ao Senhor
pelas dádivas recebidas, exceto para uma ocasião conforme encontramos em
Levítico 5:11-12, quando que não tivesse condições nem para ofertar aves no
sacrifício de holocausto, aquele que pecou traria por sua oferta a décima parte
de uma efa[5],
medida para secos e líquidos equivalente a 22 litros, conforme descrito no
dicionário bíblico, de flor de farinha como oferta pelo pecado, não poderia
colocar azeite e nem colocará incenso, pois era oferta pelo pecado, entregando
ao sacerdote, ele pegava um punhado como porção memorial e a queimava sobre o
altar, por cima das ofertas queimadas ao Senhor.
A
oferta de cereal[6] no
hebraico מנחה minchah significa presente, tributo, oferta,
dádiva, oblação, sacrifício de acordo com o Dicionário Strong h4503. A oferta de cereal poderiam ser
apresentadas de 4 formas:
1 - Farinha
fina, sal, azeite e incenso;
2 - Cozida no
forno como bolos asmos de flor de farinha amassada com azeite;
3 - Na panela,
fazendo o cozimento com farinha fina e azeite;
4 - Grãos
verdes, trazidos das prímicias.
Encontramos em
Levítico 2:1-3 a descrição de cada uma, como segue, quando alguma pessoa fizer
oferta de cereal ao Senhor, levaria farinha fina, azeite e incenso, entregava
paras os filhos de Arão, os sacerdotes, um dos quais tomava dela um punhado de
farinha e do seu azeite com to o seu incenso e os queimava como porção memorial
sobre o altar, era oferta queimada, de aroma agradável ao Senhor, o que ficava
da oferta trazida era de Arão e seus filhos, pois era coisa santissíma das
ofertas queimadas do Senhor, conforme também encontramos em Levítico 6:16: “ o
restante dela comerão Arão e seus filhos; asmo se comerá no lugar santo; no
pátio da tenda da congregação, o comerão.” Era exclusivamente para homens
sacerdotes, pois só poderiam ser consumido dentro do Tabernáculo.
A outra maneira
de apresentar a oferta de cereal, conforme está descrito em Levítico 2:4-6,
quando o oferente levava a oferta de cereal cozida no forno, seria feito como
bolos asmos de farinha fina sem fermento amassados com azeite e sal além de
obreiras ou bolochas untadas com azeite.
Se a oferta de
cereal fosse trazido na frigideira ou panela, seria feito com farinha fina, sal
e azeite, tudo isso apresentado ao sacerdote o qual levava ao altar, tomando a
porção para o memorial para queimar sobre o altar, conforme descrito em
Levítico 2: 7-9, lembrando que o que ficava era de Arão e de seus filhos. Jamais poderia preparar ou
trazer a oferta de cereal com fermento ou mel, mas de toda oferta trará
temperada com sal, Levítico[7]
2:13:
Toda oferta dos teus manjares temperarás com sal; à
tua oferta de manjares não deixarás faltar sal da aliança do teu Deus; em todas
as tuas ofertas aplicarás sal.
Quanto a oferta
de cereal das prímicias, encontramos em Levítico 2:14-16, que o oferente
precisava pegar os grãos verdes, tostar no fogo, isto é, os grãos esmagados
colocando azeite e levando até o sacerdote que queimava a porção memorial dos
grãos de espigas esmagados e do azeito, com todo o incenso, sendo oferta
queimada ao Senhor.
4 - Oferta de Comunhão
A oferta de
comunhão ou oferta pacífica chamada assim poque o oferente tinha participação comendo
uma porção da carne, com isso poderia ser retratado a comunhão entre Deus e o
homem, também chamada de oferta de gratidão, no hebraico שלם shelem que
significa retribuição, sacrifício por aliança ou amizade conforme encontramos
no Dicionário Strong h8002, conforme encontramos em Levítico 3:1-5, o animal poderia
ser gado bovino podendo ser macho ou fêmea, sem defeito e oferecida ao Senhor, o
oferente colocaria a mão sobre a cabeça da sua oferta e imolava diante da porta
da tenda da congregação e os sacerdotes aspergiam o sangue sobre o altar, ao
redor, retirando toda a gordura, como também os dois rins e o fígado e queimava
sobre o altar, em cima do holocausto.
Se
a oferta de comuhão for de gado caprino, também poderia ser macho ou fêmea, sem
defeito era oferecido, sendo cordeiro o oferente colocava a mão sobre a cabeça
da oferta e imolava diante da tenda da congregação e os sacerdotes aspergiam o
sangue sobre o altar, em redor, retirando toda a gordura, a cauda ou o rabo do
carneiro, que deveria ser cortada rente a espinha do animal, os dois rins e o
fígado e o sacerdote colocava tudo sobre o altar, era como manjar oferta
queimada ao Senhor, conforme descrito em Levítico 3:6-11.
E se fosse
cabra, a pessoal também colocava a mão na cabeça do animal e imolava diante da
tenda da congregação, e os sacerdotes aspergiam o sangue sobre o altar, ao
redor, retirando toda a gordura, os dois rins e o fígado e o sacerdote queimava
tudo isso no sobre o altar, encontramos todas as descrições em Levítico
3:12-16. Era uma expressão de gratidão e o desejo de comunhão com Deus, até o
padrão dessa comunhão o Senhor deixou específicado em Levítico[8]
7:11-14:
Esta
é a lei das ofertas pacíficas que alguém pode oferecer ao Senhor. Se fizer por
ação de graças, com a oferta de ação de graças trará bolos asmos amassados com
azeite, obreiras asmas untadas com azeite e bolos de flor de farinha bem
amassados com azeite. Com os bolos trará por sua oferta, pão levedado [...]
trará um bolo por oferta ao Senhor, que será do sacerdote que aspergir o sangue
da oferta pacífica.
A carne do
sacrifício de ação de graças da oferta de comunhão deveria sempre ser comida
pelos sacerdotes e o oferente no dia do seu oferecimento, não podendo deixar
nada até à manhã, como vemos em Levítico 7:15. Se a oferta fosse voto ou
voluntária, no dia em que oferecia poderia comer e se sobrasse poderia deixar
para ser consumido no dia seguinte, porém se ainda restasse da carne do
sacrifício, ao tereceiro dia, deveria ser queimado, conforme descrito em
Levítico 7:16-17.
5 - Oferta pelo Pecado
A primeira
oferta ou sacrifício obrigatório, oferecido por aquele que tivesse cometido um
pecado específico, por ignorância ou de forma não intencional, cometidos por
fraqueza ou descuido, se estivesse impuro precisava obter a purificação. Esta
ordenaça do Senhor tinha de forma clara para cada classe de pessoa com o pecado,
como segue:
∙
Sumo Sacerdote e a congregação – novilho sem defeito (Levítico 4:3)
∙
Líder – bode sem defeito (Levítico 4:23)
∙
Pessoa comum – cabra sem defeito (Levítico 4:28) ou uma cordeira sem defeito (Levítico
4:32),
neste caso ambas fêmeas.
∙
Pessoa pobre – dois pombos ou duas rolinhas (Levítico 5:7) uma como oferta pelo
pecado e a outra como holocausto.
∙
Pessoa muito pobre – um jarro ou décima parte de uma efa de flor de farinha (sem
colocar azeite ou colocar sobre incenso – Levítico 5:11).
Como
é descrito em Levítico 4:3-12, que se o sacerdote ungido pecar trazendo escândalo
para o povo, oferecia um novilho sem defeito ao Senhor, como oferta pelo pecado,
trazendo o novilho à porta da tenda da congregação, perante o Senhor, colocava
a mão sobre a cabeça do animal, imolava o novilho pegando o sangue e levando
até a tenda da congregação, molhando o dedo no sangue e aspergindo sete vezes
no véu do santuário, também colocando o sangue sobre os chifres do altar do
incenso aromático que está no altar na tenda da congregação e todo o restante
do sangue do novilho derramava na base do altar do holocausto, toda a gordura
era retirada como também os dois rins e o fígado e queimava sobre o altar de
holocausto. Mas o couro do novilho, toda sua carne, a cabeça, as pernas, as
entranhas e o excremento, praticamente o novilho todo, era levado para fora do
arraial, em um lugar limpo onde se lançava as cinzas e ali queimava sobre a
lenha.
Se
a congregação de Israel cometesse o pecado que fosse por ignorância ou fosse
oculto a coletividade contra a algum mandamento do Senhor, ou sendo notório,
então a congregação trazia o novilho diante da tenda da congregação, conforme
encontramos em Levítico 4:13-21, os anciãos da congregação colocavam as mãos
sobre a cabeça do novilho e era imolado diante do Senhor, o sacerdote pegava o
sangue e molhava o dedo e aspergia sete vezes no véu do santuário e daquele
sangue colocava sobre o chifres do altar que está perante ao Senhor e todo o
restante do sangue derramava na base do altar do holocausto, toda a gordura do
animal era queimada sobre o altar, o restante de todo o novilho era expiado
como fez anteriormente o sacerdote e era também levado para fora do arraial
para queimar no mesmo lugar limpo onde se colocavam as cinzas.
Quando
um Líder ou príncipe pecava por ignorância ou o pecado que ele caíra lhe era
revelado, então ele teria que levar um bode sem defeito, conforme descrito em
Levítico 4:22-26, o príncipe trazia o animal até a porta da congregação
colocava a mão sobre a cabeça do bode e imolava onde era imolado o holocausto,
lado norte à direita do altar e o sacerdote com o dedo colocava o sangue sobre
os chifres do altar do holocausto e o restante do sangue era derramado na base
do altar do holocausto, toda a sua gordura era oferta e queimada sobre o altar,
e o sacerdote fazia a expiação do pecado e esse era perdoado.
Quando
uma pessoa comum pecasse, precisaria trazer uma cabra ou cordeira fêmea sem
defeito, pelo pecado que cometeu e levava até a porta da tenda da congregação e
colocava a mão sobre a cabeça e imolava no mesmo lugar que era imolado o
holocausto, direção ao norte lado direito do altar de sacrifícios, e o
sacerdote com o dedo colocava o sangue sobre os chifres do altar do holocausto
e todo o restante derramava na base do altar de holocausto, e pegava toda a
gordura e queimava no altar do holocausto, conforme descrito em Levítico 4:
27:35.
No
caso da pessoa ser pobre e suas posses não lhe permitissem trazer um animal de
gado, este deveria trazer duas rolas ou dois pombinhos, sendo um como oferta
pelo pecado e o outro como holocausto, entragava as aves para o sacerdote, onde
primeiro era oferecida a ave para oferta pelo pecado, destroncando a cabeça com
a unha sem separar do pescoço e aspergia o sangue sobre a parede do altar e o
restante do sangue fazia escorrer até a base do altar, era a oferta do pecado,
encontramos em Levítico 5:7-10, e a ave do holocausto era feito conforme já
descrito anteriormente.
Se
a pessoa fosse muito pobre, onde suas posses não permitessem ofertar no mínimo
as aves, conforme descrito em Levítico 5:11-13, o oferente levava a décima
parte de uma efa de flor de farinha como oferta pelo pecado e não colocava nem
azeite e nem incenso, entregava para sacerdote que por sua vez, tirava um
punhado de farinha fina como porção memorial e a queimava sobre o altar, em
cima das ofertas queimadas ao Senhor, fazendo assim oferta do pecado que
cometeu em algumas destas coisas, era
perdoado e o restantes da farinha era para o sacerdote.
Esta
oferta, a sua carne também podia ser consumida pelo sacerdote que oferecia a
oferta pelo pecado, deveria comer no lugar santo, no pátio da congregação, tudo
que tocasse na carne da oferta era considerado santo e se aspergisse alguém do
seu sangue sobre a suas vestes, precisaria lavar aquilo que caiu no lugar
santo, se o vaso do cozimento fosse de barro ele era quebrado e se fosse de
bronze seria esfregado e lavado com água, só varões sacerdotes poderiam comer,
encontramos essas instruções em Levítico 6:24-30.
6 - Oferta pela Culpa
A pessoa que
cometesse ofensa e pecasse por ignorância as coisas sagradas do Senhor, teria
que oferecer um carneiro sem defeito, conforme avaliação em siclos de prata,
assim pagando uma multa de 1/5 ao sacerdote, daquilo que havia ofendido e se
enganasse ou defraudasse alguma pessoa além da oferta de culpa apresenta
precisaria restituir a pessoa lesionada por tudo aquilo que roubou ou extorquiu
e também pagar uma multa de 1/5 do valor bruto ou seja 20%. Assim como a oferta
pelo pecado, a oferta pela culpa era obrigatória, mas como podemos ver além do
sacrifício, era inerente o reembolso financeiro para que o pecado fosse
perdoado. Era trazido o carneiro sem defeito onde imolado no lugar onde
imolavam o holocausto, onde o sangue era aspergido sobre o altar, em redor,
toda a gordura era oferecida, a cauda ou rabo do carneiro, os rins e o fígado,
queimando tudo sobre o altar do holocausto, onde a carne que sobrava era para
consumo dos sacerdotes dentro do lugar santo na tenda da congregação, conforme
encontramos em Levítico 5:14; 6:1-6; 7:1-6.
7 - Oferta Movida
Em Levítico
7:30-36, encontramos a oferta movida, nomeada assim por literalmente o
ofertante fazer o movimento da direita para esquerda e para frente e para trás,
ou seja, movimentando a oferta em todas as direções. Era oferecido ao Senhor a
gordura do peito do carneiro e partes do animal como peito e coxa eram entregue
e dado ao sacerdote, após apresentar o sacrifício pacífico diante do Senhor, a
gordura do animal era queimada sobre o altar, e as partes comestíveis do
carneiro comiam tanto os sacerdotes quanto o oferente. Esta oferta pode ser
simbolizada como graditão pelo serviços prestados dos sacerdotes ou de uma forma geral a tribo
de Levi, por esta ter sido separado e santificado pelo Senhor para o serviço no
Tabernáculo.
8 - Oferta Alçada
Oferta que era
oferecida como forma de agradecimento ao ganho de tudo alcançado pelo oferente,
podia ser também levantada entre as outras ofertas, sempre com o coração
dádivoso, podemos dizer que esta oferta era como se fosse o dízimo, considerada
como oferta de gratidão, resposta de oração, pagamento de um voto feito ou
simplismente entregue de forma voluntária de adoração ao Senhor. Também era
para suprir a necessidade dos sacerdotes e suas famílias, como vemos em Levítico
7:14 – “ E, de toda oferta, trará um bolo por oferta ao Senhor, que será do
sacerdote que aspergir o sangue da oferta pacífica.”
9 - Oferta Derramada
Conhecida como
oferta de líquidos ou Libação, podemos encontrar em Gênesis 35:14 Jacó
ofertando em Betel, após ter o sonho com a escada que via os anjos subindo e
descendo por ela, acordou e fez uma coluna e depois um voto com Senhor,
derramando oléo sobre o aquela coluna. Geralmente poderia ser oferecido vinho,
azeite e esta oferta sempre era oferecido juntamente com outras ofertas, como
de cereal, pecado, culpa ou holocausto.
Mais
uma oferta de adoração ao Senhor, libação dedicada a Deus, feita todos os dias
no Tabernáculo. Oferta derramada que também era oferecida em conjunto com a oferta
de manjares e oferta pelo pecado, forma de consagração ao Senhor, como vemos em
Êxodo 29:38-41: “ Isto é o que oferecerás sobre o altar: dois cordeiros de um
ano, cada dia, continuamente. Um cordeiro oferecerás pela manhã e o outro ao
pôr-do-sol. Com um cordeiro, a décima parte de uma efa de flor de farinha,
amassada com a quarta parte de him de azeite batido; e, para libação, a quarta
parte de um him de vinho; o outro cordeiro oferecerás ao pôr-do-sol, como
oferta de manjares, e libação como de manhã, de aroma agradável, oferta
queimada ao Senhor.”
10 - Conclusão
Mais de
quatrocentos anos de escravidão, o povo de Israel necessitava ser ensinado
novamente e principalmente ser irradicado os hábitos adquirido em seu cativeiro
no Egito, o Senhor conduz a nação israelita pelo deserto para que o povo
voltasse a ter sua identidade e pudessem seguir a vontade de Deus.
Encontramos em diversos livros do
Antigo Testamento os sacrifícios e as ofertas, mas, é no terceiro livro da Torá
que Deus dá instruções detalhadas de como o povo de Israel teria a oportunidade
de experimentar o perdão dos pecados cometidos intencionalmente e
involuntáriamente, além de entregas voluntárias para adoração e agradecimento
ao Deus Altíssimo, isso de forma concreta e aparente, se tornando palpável este
sacrifício justo.
O animal
totalmente inocente sendo oferecido para morrer no lugar do pecador, dívida
adquirida por erros de outrem, sangue derramado para pagamento feito com vida
inocente para obtenção de perdão. Todos os sacrifícios e ofertas no Antigo
Testamento nos remete a pensarmos em uma única pessoa, Jesus, o Cristo é
tipíficado por cada uma delas.
O Cordeiro de
Deus, sem mancha, sem mácula, perfeito sem nenhum defeito, entregando - se
voluntáriamente para propiciação dos nossos pecados, nos levando a redenção e
nos colocando compromissados com o nosso Deus.
Ele é a nossa
primícia, o Pão vivo que desceu do céu para que não tivessemos mais sede e
fome.
Ele é o elo que
nos liga ao nosso Criador, é a nossa benção alcançada, o nosso voto cumprido, a
nossa gratidão ao Senhor.
Mesmo que
sejamos pecadores, Ele nos livra de todo pecado, sem fazer acepção de nenhuma pessoas,
os pecados mais encobertos nos purifica ao ponto de ficarmos mais brancos como
a neve.
Ele pagou toda
a nossa dívida, pois através de todo seu sangue fomos comprados e resgatados,
através da sua morte adquirimos o nosso direito de sermos chamados povo de Deus
e da sua ressureição temos o direito da vida eterna.
Movido por amor
à nós, alçado entre ricos e pobres, publicanos e pecadores, fariseus e
saduseus, derramando o nosso Consolador para nos conduzir por seu caminho,
neste mundo corrompido e devasso. O Sistema Sacrificial do Antigo Testamento
chega ao seu resultado final, Jesus.
Bibliografia:
ALMEIDA, Abraão
– O Tabernáculo e a Igreja. Rio de Janeiro, Casa Publicadora das Assembléias de
Deus, 2016.
BÍBLIA de
Estudo Anotada Expandida. SP: Mundo Cristão, 2007.
SANTOS, João
Batista Ribeiro. Dicionário Bíblico, São Paulo: ed. Didática Paulista, 2006.
STRONG, James.
Dicionário Bíblico Strong, São Paulo: publicada por Sociedade Bíblica do
Brasil, 2002. Disponível em <http://www.sbb.org.br> acesso
em 02 nov. 2016.
<https://gotquestions.org/Portugues/sacrificios-de-animais.html>
- acesso em 12 out. 2016.
<http://santuariocerimonias.blogspot.com.br/2010/11/as-ofertas-e-os-sacrificios.html>
- acesso 17 out. 2016.
1 –
Acadêmico cursando Bacharelado em Teologia na Faculdade Evangélica das
Assembléias de Deus – FAECAD – Rio de Janeiro – ruiluizeto@hotmail.com

