sexta-feira, 28 de abril de 2017






Sistema Sacrificial no Antigo Testamento

                                                            Rui César Luizeto[1]











Resumo



Deus deu instruções específicas para uma padronização de ofertas de sacrifício para que o povo de Israel pudesse ter uma redenção dos pecados, o povo tinha acabado de contruir o tabernáculo, precisaria entender como funcionaria o seu culto a Deus, mesmo que vemos sacrifícios antes do Sinai, foi no pós-exílio egípcio que o Senhor dá todas as instruções à Moisés para passar a toda congregação e aos sacerdotes, sistemáticamente como seriam feitas cada uma das ofertas e conduzidas, e o que representavam para cada área que o povo pudesse estar em pecado, intruções concebidas em um período de cinquenta dias, mostrando para o povo de Israel dois caminhos, o caminho com requisitos de comunhão com o Senhor tratando de sua santificação e a revelação do pecado humano com a maneira de redenção.



Palavras-chaves: Ofertas, sacrifício, comunhão, santificação, redenção.

































Abstract





God gave specific instructions for a standardization of sacrificial offerings so that the people of Israel could have a redemption of sins, the people had just built the tabernacle, would need to understand how their worship of God would work, even though we see sacrifices before Sinai , It was in Egyptian post-exile that the Lord gives all instructions to Moises to pass on to every congregation and to the priests, systematically how each offering and conduct would be made, and what they represented for each area that the people might be in sin , Instructions designed over a period of fifty days, showing to the people of Israel two paths, the path with requirements of communion with the Lord, dealing with their sanctification and the revelation of human sin with the manner of redemption.



Keywords: Offerings, sacrifice, communion, sanctification, redemption.





















































1 - Introdução



Podemos encontrar o sacrifício no Antigo Testamento em diversos textos, apesar de não estar explicíto que o Senhor sacrifícou um animal para suprir a nudez de Adão e Eva, entende-se que tal fato ocorreu pelo o que está relatado no livro de Gênesis 3:21 – “ Fez o Senhor Deus vestimenta de peles para Adão e sua mulher e os vestiu”. Encontramos também Noé oferecendo holocaustos sobre o altar levantado ao Senhor, em Gênesis 8:20 – “ Levantou Noé um altar ao Senhor e, tomando de animais limpos e de aves limpas ofereceu holocaustos sobre o altar”. Mas a padronização do Sistema Sacrificial no Antigo Testamento é encontrado no livro de Levítico, onde Deus estabeleceu de forma sistemática e organizada, o sacrifício, em dois tipos distintos, holocausto e ofertas, para que o povo de Israel tivesse a oportunidade de redenção para os pecados e possibilidade de trilhar o caminho da santidade e comunhão com Deus. Assim que o povo terminou a construção do Tabernáculo, conforme Deus determinou a Moisés, os israelitas precisaram receber um padrão de como iriam utilizá-lo, os princípios fundamentais e requisitos para buscar a santidade e comunhão com Deus.

Os sacrifícios precisavam custar algo para aquela pessoa, da sua criação precisava ser retirado o melhor touro, melhor carneiro, não poderia ser apresentado de qualquer maneira diante do Senhor, teria que ser sempre o melhor.

As ofertas precisamos ser de forma voluntária, forma de exaltação ao Senhor, pois, de nada adiantaria seguir todo modelo que Deus deu a Moisés sem que o homem entendesse o próposito de cada rito e finalidade.

Serão abordados de forma simples e objetiva os cinco sacríficios e as três ofertas descritas neste trabalho, como seguem;

Holocausto, Oferta de Cereal, Oferta de Comunhão, Oferta pelo Pecado, Oferta pela Culpa, Oferta Movida, Oferta Alçada e Oferta Derramada.







2 – Holocausto

         A primeira oferta de sacrifício no livro de Levítico, holocausto, no Antigo Testamento a primeira vez que vemos o holocausto é em Gênesis 4:4-5, quando Abel pastor de ovelhas, entrega a oferta ao Senhor: “ Abel, por sua vez, trouxe das prímicias do seu rebanho e da gordura deste. Agradou-se o Senhor de Abel e de sua oferta.” Encontramos a palavra holocausto pela primeira vez na Bíblia em Gênesis 22:2-13, quando Deus pede a Abraão seu filho Isaque para sacrificá-lo ao Senhor, dando a entender que a prática do sacríficio de holocausto vem antes do Sinai, como segue abaixo:

Acrescentou Deus: Toma teu filho, teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá, oferece-o ali em holocausto, sobre um dos montes, que eu te mostrarei [...] perguntou-lhe Isaque: Eis o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto? Respondeu Abraão: Deus proverá para si, meu filho, o cordeiro para o holocausto; e seguiram ambos juntos [...] Tendo Abraão erguido os olhos, viu atrás de si um carneiro [...] e o ofereceu em holocausto, em lugar de seu filho.

           

A palavra holocausto[2] vem do grego holokautoma, conforme descrito no Dicionário Strong o3646 e significa oferta totalmente queimada, no hebraico é a palavra עלה òlah significa oferta queimada, subir, escada, degraus, de acordo com o Dicionário Strong h5930.            Várias gerações passadas Deus faz a padronização dos sacrifícios, encontramos no livro de Levítico o procedimento que os homens e os sacerdotes deveriam fazer para o sacrifíco de holocausto, em Levítico 1:2, um animal como gado bovino ou caprino como objeto para o sacrifício, sendo que deveria ser sempre macho, sem defeito ou aves como rolas e pombinhos conforme encontramos em Levíticos 1:14, estes último sem distinção de sexo.

No caso do holocausto de gado bovino, macho e sem defeito, o oferente deveria levar até a porta da congregação para que o homem que está ofertando o animal fosse aceito diante do Senhor, colocando a mão sobre a cabeça do holocausto, para que fosse aceito a seu favor, para sua expiação[3], encontramos no dicionário bíblico quer dizer cobrir, expiar, reconciliar, pacificar, sacrificá-lo para cobrir o pecado, o próprio oferente imolava o animal e entregava aos sacerdotes, que por sua vez pegavam o sangue do animal para apresentarem o sangue e aspergir[4], significa espalhar em abundância, conforme descrito no dicionário bíblico, com movimentos circulares sobre propiciatório em volta do altar que estava diante da porta da tenda da congregação, conforme descrito em Levíticos 1:3-5, e arrancando o seu couro e cortando o animal nas juntas dividindo-o em seus pedaços, e os filhos de Arão, o sacerdote,  colocando em ordem a lenha no fogo do altar, arrumando tais pedaços em ordem como primeiro a cabeça e em seguida a gordura sobre a lenha que estaria queimando no altar, retirando as entranhas e as pernas e lavando-as com água e depois queimando tudo isso sobre o altar, conforme descrito em Levíticos 1:6-9.

No caso da oferta ser de gado miúdo, carneiros ou cabritos, para holocausto, trará macho sem defeito e imolará para o lado norte do altar ou seja do lado direito do altar perante o Senhor, os sacerdotes também recolhendo o sangue do animal e aspergindo em redor e sobre o altar, cortando-o nas juntas, colocando a lenha em ordem no fogo sobre o altar e colocando os pedaços do holocausto em ordem, primeiro a cabeça e depois a gordura, lavando as pernas e entranhas com água e depois oferecendo tudo isso e queimando sobre o altar, oferta queimada de aroma agradável ao Senhor, encontramos descrito em Levítico 1:10-13.

Se a oferta ao Senhor fosse de holocausto de aves, conforme encontramos descrito em Levítico 1:14-17, o oferente trazia a sua oferta de rolas ou de pombinhas, onde o sacerdote levava até o altar e com a unha destroncava a cabeça da ave, sem a separar do pescoço, colocando para queimar sobre o altar, fazendo o seu sangue correr pela parede do altar, retirando o papo com suas penas e jogando para o lado oriental ou leste na frente do altar onde ficam as cinzas, rasgava pelas asas, porém não partindo-a, o sacerdote colocava sobre o altar, queimando em cima da lenha que estava no fogo, pois era holocausto, oferta queimada ao Senhor.

Em todos os três casos acima o oferente sempre trazia o animal que seria oferecido ao Senhor, para expiação dos seus pecados, na porta da congregação e sempre colocava a mão na cabeça do holocausto para a sua expiação.

Em Levítico 6:8-13, encontraremos mais instruções para os sacerdotes acerca da lei do holocausto, onde o holocausto ficava na lareira do altar toda a noite até pela manhã, e nela se mantendo aceso o fogo do altar. O sacerdote precisava vestir a sua túnica de linho e os calções de linho sobre a pele nua, e pegando as cinzas ficavam de frente e abaixo do altar junto com os papos ou esofagos dos animais, que do o fogo acabava de consumir o holocausto, depois precisava trocar de roupa e levar a cinza para fora do arraial a um lugar limpo. O fogo do altar nunca poderia se apagar, com isso a cada holocausto teriam sempre que colocar mais lenha sempre em ordem, para queimar os holocaustos. Encontramos em Êxodo 27:3 os utensílios que o sacerdotes usavam para fazer este trabalho de recolher as cinzas, eram: pás, bacias, garfos, braseiros, todos estes feitos de bronze, além de uma grelha também feita de bronze em forma de rede com quatro argolas nos seus quatro cantos, essa grelha precisava ficar na parte de baixo do altar, de maneira que a rede chegasse até o meio do altar, como descrito no verso 4 e 5 do capítulo 27 de Êxodo.

 O holocausto ou oferta queimada subindo como cheiro agradável ao Senhor, era um ato voluntário que significava a propiciação do pecado, rendição e adoração a Deus, expressado de uma forma clara o arrependimento pelos pecados e a certeza do perdão que o Senhor proporcionava ao homem, apontando que ele precisava buscar uma redenção e uma vida de santidade , assim apagando e limpando os seus pecados diante de Deus. Não era a solução para a vida eterna, mas, a conformidade e obediência ao modelo que o Senhor instituíu para aquela época, para o povo de Israel.





3 - Oferta de Cereal

            Oferta de Cereais também conhecida como oferta de manjares ou oferta de farinha ou ainda tributo, também era voluntária, era a única oferta que não tinha derramamento de sangue, um sacrifício de agradecimento voluntário ao Senhor pelas dádivas recebidas, exceto para uma ocasião conforme encontramos em Levítico 5:11-12, quando que não tivesse condições nem para ofertar aves no sacrifício de holocausto, aquele que pecou traria por sua oferta a décima parte de uma efa[5], medida para secos e líquidos equivalente a 22 litros, conforme descrito no dicionário bíblico, de flor de farinha como oferta pelo pecado, não poderia colocar azeite e nem colocará incenso, pois era oferta pelo pecado, entregando ao sacerdote, ele pegava um punhado como porção memorial e a queimava sobre o altar, por cima das ofertas queimadas ao Senhor.

            A oferta de cereal[6] no hebraico מנחה minchah significa presente, tributo, oferta, dádiva, oblação, sacrifício de acordo com o Dicionário Strong h4503. A oferta de cereal poderiam ser apresentadas de 4 formas:

1 - Farinha fina, sal, azeite e incenso;

2 - Cozida no forno como bolos asmos de flor de farinha amassada com azeite;

3 - Na panela, fazendo o cozimento com farinha fina e azeite;

4 - Grãos verdes, trazidos das prímicias.

Encontramos em Levítico 2:1-3 a descrição de cada uma, como segue, quando alguma pessoa fizer oferta de cereal ao Senhor, levaria farinha fina, azeite e incenso, entregava paras os filhos de Arão, os sacerdotes, um dos quais tomava dela um punhado de farinha e do seu azeite com to o seu incenso e os queimava como porção memorial sobre o altar, era oferta queimada, de aroma agradável ao Senhor, o que ficava da oferta trazida era de Arão e seus filhos, pois era coisa santissíma das ofertas queimadas do Senhor, conforme também encontramos em Levítico 6:16: “ o restante dela comerão Arão e seus filhos; asmo se comerá no lugar santo; no pátio da tenda da congregação, o comerão.” Era exclusivamente para homens sacerdotes, pois só poderiam ser consumido dentro do Tabernáculo.

A outra maneira de apresentar a oferta de cereal, conforme está descrito em Levítico 2:4-6, quando o oferente levava a oferta de cereal cozida no forno, seria feito como bolos asmos de farinha fina sem fermento amassados com azeite e sal além de obreiras ou bolochas untadas com azeite.

Se a oferta de cereal fosse trazido na frigideira ou panela, seria feito com farinha fina, sal e azeite, tudo isso apresentado ao sacerdote o qual levava ao altar, tomando a porção para o memorial para queimar sobre o altar, conforme descrito em Levítico 2: 7-9, lembrando que o que ficava era de Arão  e de seus filhos. Jamais poderia preparar ou trazer a oferta de cereal com fermento ou mel, mas de toda oferta trará temperada com sal, Levítico[7] 2:13:

Toda oferta dos teus manjares temperarás com sal; à tua oferta de manjares não deixarás faltar sal da aliança do teu Deus; em todas as tuas ofertas aplicarás sal.



Quanto a oferta de cereal das prímicias, encontramos em Levítico 2:14-16, que o oferente precisava pegar os grãos verdes, tostar no fogo, isto é, os grãos esmagados colocando azeite e levando até o sacerdote que queimava a porção memorial dos grãos de espigas esmagados e do azeito, com todo o incenso, sendo oferta queimada ao Senhor.





4 - Oferta de Comunhão

         A oferta de comunhão ou oferta pacífica chamada assim poque o oferente tinha participação comendo uma porção da carne, com isso poderia ser retratado a comunhão entre Deus e o homem, também chamada de oferta de gratidão, no hebraico שלם shelem que significa retribuição, sacrifício por aliança ou amizade conforme encontramos no Dicionário Strong h8002, conforme encontramos em Levítico 3:1-5, o animal poderia ser gado bovino podendo ser macho ou fêmea, sem defeito e oferecida ao Senhor, o oferente colocaria a mão sobre a cabeça da sua oferta e imolava diante da porta da tenda da congregação e os sacerdotes aspergiam o sangue sobre o altar, ao redor, retirando toda a gordura, como também os dois rins e o fígado e queimava sobre o altar, em cima do holocausto.

            Se a oferta de comuhão for de gado caprino, também poderia ser macho ou fêmea, sem defeito era oferecido, sendo cordeiro o oferente colocava a mão sobre a cabeça da oferta e imolava diante da tenda da congregação e os sacerdotes aspergiam o sangue sobre o altar, em redor, retirando toda a gordura, a cauda ou o rabo do carneiro, que deveria ser cortada rente a espinha do animal, os dois rins e o fígado e o sacerdote colocava tudo sobre o altar, era como manjar oferta queimada ao Senhor, conforme descrito em Levítico 3:6-11.

E se fosse cabra, a pessoal também colocava a mão na cabeça do animal e imolava diante da tenda da congregação, e os sacerdotes aspergiam o sangue sobre o altar, ao redor, retirando toda a gordura, os dois rins e o fígado e o sacerdote queimava tudo isso no sobre o altar, encontramos todas as descrições em Levítico 3:12-16. Era uma expressão de gratidão e o desejo de comunhão com Deus, até o padrão dessa comunhão o Senhor deixou específicado em Levítico[8] 7:11-14:

            Esta é a lei das ofertas pacíficas que alguém pode oferecer ao Senhor. Se fizer por ação de graças, com a oferta de ação de graças trará bolos asmos amassados com azeite, obreiras asmas untadas com azeite e bolos de flor de farinha bem amassados com azeite. Com os bolos trará por sua oferta, pão levedado [...] trará um bolo por oferta ao Senhor, que será do sacerdote que aspergir o sangue da oferta pacífica.



A carne do sacrifício de ação de graças da oferta de comunhão deveria sempre ser comida pelos sacerdotes e o oferente no dia do seu oferecimento, não podendo deixar nada até à manhã, como vemos em Levítico 7:15. Se a oferta fosse voto ou voluntária, no dia em que oferecia poderia comer e se sobrasse poderia deixar para ser consumido no dia seguinte, porém se ainda restasse da carne do sacrifício, ao tereceiro dia, deveria ser queimado, conforme descrito em Levítico 7:16-17.





5 - Oferta pelo Pecado

         A primeira oferta ou sacrifício obrigatório, oferecido por aquele que tivesse cometido um pecado específico, por ignorância ou de forma não intencional, cometidos por fraqueza ou descuido, se estivesse impuro precisava obter a purificação. Esta ordenaça do Senhor tinha de forma clara para cada classe de pessoa com o pecado, como segue:

            ∙ Sumo Sacerdote e a congregação – novilho sem defeito (Levítico 4:3)

            ∙ Líder – bode sem defeito (Levítico 4:23)

            ∙ Pessoa comum – cabra sem defeito (Levítico 4:28) ou uma cordeira sem defeito (Levítico 4:32), neste caso ambas fêmeas.

            ∙ Pessoa pobre – dois pombos ou duas rolinhas (Levítico 5:7) uma como oferta pelo pecado e a outra como holocausto.

            ∙ Pessoa muito pobre – um jarro ou décima parte de uma efa de flor de farinha (sem colocar azeite ou colocar sobre incenso – Levítico 5:11).

            Como é descrito em Levítico 4:3-12, que se o sacerdote ungido pecar trazendo escândalo para o povo, oferecia um novilho sem defeito ao Senhor, como oferta pelo pecado, trazendo o novilho à porta da tenda da congregação, perante o Senhor, colocava a mão sobre a cabeça do animal, imolava o novilho pegando o sangue e levando até a tenda da congregação, molhando o dedo no sangue e aspergindo sete vezes no véu do santuário, também colocando o sangue sobre os chifres do altar do incenso aromático que está no altar na tenda da congregação e todo o restante do sangue do novilho derramava na base do altar do holocausto, toda a gordura era retirada como também os dois rins e o fígado e queimava sobre o altar de holocausto. Mas o couro do novilho, toda sua carne, a cabeça, as pernas, as entranhas e o excremento, praticamente o novilho todo, era levado para fora do arraial, em um lugar limpo onde se lançava as cinzas e ali queimava sobre a lenha.

            Se a congregação de Israel cometesse o pecado que fosse por ignorância ou fosse oculto a coletividade contra a algum mandamento do Senhor, ou sendo notório, então a congregação trazia o novilho diante da tenda da congregação, conforme encontramos em Levítico 4:13-21, os anciãos da congregação colocavam as mãos sobre a cabeça do novilho e era imolado diante do Senhor, o sacerdote pegava o sangue e molhava o dedo e aspergia sete vezes no véu do santuário e daquele sangue colocava sobre o chifres do altar que está perante ao Senhor e todo o restante do sangue derramava na base do altar do holocausto, toda a gordura do animal era queimada sobre o altar, o restante de todo o novilho era expiado como fez anteriormente o sacerdote e era também levado para fora do arraial para queimar no mesmo lugar limpo onde se colocavam as cinzas.

            Quando um Líder ou príncipe pecava por ignorância ou o pecado que ele caíra lhe era revelado, então ele teria que levar um bode sem defeito, conforme descrito em Levítico 4:22-26, o príncipe trazia o animal até a porta da congregação colocava a mão sobre a cabeça do bode e imolava onde era imolado o holocausto, lado norte à direita do altar e o sacerdote com o dedo colocava o sangue sobre os chifres do altar do holocausto e o restante do sangue era derramado na base do altar do holocausto, toda a sua gordura era oferta e queimada sobre o altar, e o sacerdote fazia a expiação do pecado e esse era perdoado.

            Quando uma pessoa comum pecasse, precisaria trazer uma cabra ou cordeira fêmea sem defeito, pelo pecado que cometeu e levava até a porta da tenda da congregação e colocava a mão sobre a cabeça e imolava no mesmo lugar que era imolado o holocausto, direção ao norte lado direito do altar de sacrifícios, e o sacerdote com o dedo colocava o sangue sobre os chifres do altar do holocausto e todo o restante derramava na base do altar de holocausto, e pegava toda a gordura e queimava no altar do holocausto, conforme descrito em Levítico 4: 27:35.

            No caso da pessoa ser pobre e suas posses não lhe permitissem trazer um animal de gado, este deveria trazer duas rolas ou dois pombinhos, sendo um como oferta pelo pecado e o outro como holocausto, entragava as aves para o sacerdote, onde primeiro era oferecida a ave para oferta pelo pecado, destroncando a cabeça com a unha sem separar do pescoço e aspergia o sangue sobre a parede do altar e o restante do sangue fazia escorrer até a base do altar, era a oferta do pecado, encontramos em Levítico 5:7-10, e a ave do holocausto era feito conforme já descrito anteriormente.

            Se a pessoa fosse muito pobre, onde suas posses não permitessem ofertar no mínimo as aves, conforme descrito em Levítico 5:11-13, o oferente levava a décima parte de uma efa de flor de farinha como oferta pelo pecado e não colocava nem azeite e nem incenso, entregava para sacerdote que por sua vez, tirava um punhado de farinha fina como porção memorial e a queimava sobre o altar, em cima das ofertas queimadas ao Senhor, fazendo assim oferta do pecado que cometeu  em algumas destas coisas, era perdoado e o restantes da farinha era para o sacerdote.

            Esta oferta, a sua carne também podia ser consumida pelo sacerdote que oferecia a oferta pelo pecado, deveria comer no lugar santo, no pátio da congregação, tudo que tocasse na carne da oferta era considerado santo e se aspergisse alguém do seu sangue sobre a suas vestes, precisaria lavar aquilo que caiu no lugar santo, se o vaso do cozimento fosse de barro ele era quebrado e se fosse de bronze seria esfregado e lavado com água, só varões sacerdotes poderiam comer, encontramos essas instruções em Levítico 6:24-30.

           



6 - Oferta pela Culpa

         A pessoa que cometesse ofensa e pecasse por ignorância as coisas sagradas do Senhor, teria que oferecer um carneiro sem defeito, conforme avaliação em siclos de prata, assim pagando uma multa de 1/5 ao sacerdote, daquilo que havia ofendido e se enganasse ou defraudasse alguma pessoa além da oferta de culpa apresenta precisaria restituir a pessoa lesionada por tudo aquilo que roubou ou extorquiu e também pagar uma multa de 1/5 do valor bruto ou seja 20%. Assim como a oferta pelo pecado, a oferta pela culpa era obrigatória, mas como podemos ver além do sacrifício, era inerente o reembolso financeiro para que o pecado fosse perdoado. Era trazido o carneiro sem defeito onde imolado no lugar onde imolavam o holocausto, onde o sangue era aspergido sobre o altar, em redor, toda a gordura era oferecida, a cauda ou rabo do carneiro, os rins e o fígado, queimando tudo sobre o altar do holocausto, onde a carne que sobrava era para consumo dos sacerdotes dentro do lugar santo na tenda da congregação, conforme encontramos em Levítico 5:14; 6:1-6; 7:1-6.





7 - Oferta Movida

         Em Levítico 7:30-36, encontramos a oferta movida, nomeada assim por literalmente o ofertante fazer o movimento da direita para esquerda e para frente e para trás, ou seja, movimentando a oferta em todas as direções. Era oferecido ao Senhor a gordura do peito do carneiro e partes do animal como peito e coxa eram entregue e dado ao sacerdote, após apresentar o sacrifício pacífico diante do Senhor, a gordura do animal era queimada sobre o altar, e as partes comestíveis do carneiro comiam tanto os sacerdotes quanto o oferente. Esta oferta pode ser simbolizada como graditão pelo serviços prestados  dos sacerdotes ou de uma forma geral a tribo de Levi, por esta ter sido separado e santificado pelo Senhor para o serviço no Tabernáculo.





8 - Oferta Alçada

         Oferta que era oferecida como forma de agradecimento ao ganho de tudo alcançado pelo oferente, podia ser também levantada entre as outras ofertas, sempre com o coração dádivoso, podemos dizer que esta oferta era como se fosse o dízimo, considerada como oferta de gratidão, resposta de oração, pagamento de um voto feito ou simplismente entregue de forma voluntária de adoração ao Senhor. Também era para suprir a necessidade dos sacerdotes e suas famílias, como vemos em Levítico 7:14 – “ E, de toda oferta, trará um bolo por oferta ao Senhor, que será do sacerdote que aspergir o sangue da oferta pacífica.”









9 - Oferta Derramada

         Conhecida como oferta de líquidos ou Libação, podemos encontrar em Gênesis 35:14 Jacó ofertando em Betel, após ter o sonho com a escada que via os anjos subindo e descendo por ela, acordou e fez uma coluna e depois um voto com Senhor, derramando oléo sobre o aquela coluna. Geralmente poderia ser oferecido vinho, azeite e esta oferta sempre era oferecido juntamente com outras ofertas, como de cereal, pecado, culpa ou holocausto.

            Mais uma oferta de adoração ao Senhor, libação dedicada a Deus, feita todos os dias no Tabernáculo. Oferta derramada que também era oferecida em conjunto com a oferta de manjares e oferta pelo pecado, forma de consagração ao Senhor, como vemos em Êxodo 29:38-41: “ Isto é o que oferecerás sobre o altar: dois cordeiros de um ano, cada dia, continuamente. Um cordeiro oferecerás pela manhã e o outro ao pôr-do-sol. Com um cordeiro, a décima parte de uma efa de flor de farinha, amassada com a quarta parte de him de azeite batido; e, para libação, a quarta parte de um him de vinho; o outro cordeiro oferecerás ao pôr-do-sol, como oferta de manjares, e libação como de manhã, de aroma agradável, oferta queimada ao Senhor.”





10 - Conclusão

Mais de quatrocentos anos de escravidão, o povo de Israel necessitava ser ensinado novamente e principalmente ser irradicado os hábitos adquirido em seu cativeiro no Egito, o Senhor conduz a nação israelita pelo deserto para que o povo voltasse a ter sua identidade e pudessem seguir a vontade de Deus.

Encontramos em diversos livros do Antigo Testamento os sacrifícios e as ofertas, mas, é no terceiro livro da Torá que Deus dá instruções detalhadas de como o povo de Israel teria a oportunidade de experimentar o perdão dos pecados cometidos intencionalmente e involuntáriamente, além de entregas voluntárias para adoração e agradecimento ao Deus Altíssimo, isso de forma concreta e aparente, se tornando palpável este sacrifício justo.

O animal totalmente inocente sendo oferecido para morrer no lugar do pecador, dívida adquirida por erros de outrem, sangue derramado para pagamento feito com vida inocente para obtenção de perdão. Todos os sacrifícios e ofertas no Antigo Testamento nos remete a pensarmos em uma única pessoa, Jesus, o Cristo é tipíficado por cada uma delas.

O Cordeiro de Deus, sem mancha, sem mácula, perfeito sem nenhum defeito, entregando - se voluntáriamente para propiciação dos nossos pecados, nos levando a redenção e nos colocando compromissados com o nosso Deus.

Ele é a nossa primícia, o Pão vivo que desceu do céu para que não tivessemos mais sede e fome.

Ele é o elo que nos liga ao nosso Criador, é a nossa benção alcançada, o nosso voto cumprido, a nossa gratidão ao Senhor.

Mesmo que sejamos pecadores, Ele nos livra de todo pecado, sem fazer acepção de nenhuma pessoas, os pecados mais encobertos nos purifica ao ponto de ficarmos mais brancos como a neve.

Ele pagou toda a nossa dívida, pois através de todo seu sangue fomos comprados e resgatados, através da sua morte adquirimos o nosso direito de sermos chamados povo de Deus e da sua ressureição temos o direito da vida eterna.

Movido por amor à nós, alçado entre ricos e pobres, publicanos e pecadores, fariseus e saduseus, derramando o nosso Consolador para nos conduzir por seu caminho, neste mundo corrompido e devasso. O Sistema Sacrificial do Antigo Testamento chega ao seu resultado final, Jesus.





























Bibliografia:



ALMEIDA, Abraão – O Tabernáculo e a Igreja. Rio de Janeiro, Casa Publicadora das Assembléias de Deus, 2016.



BÍBLIA de Estudo Anotada Expandida. SP: Mundo Cristão, 2007.



SANTOS, João Batista Ribeiro. Dicionário Bíblico, São Paulo: ed. Didática Paulista, 2006.



STRONG, James. Dicionário Bíblico Strong, São Paulo: publicada por Sociedade Bíblica do Brasil, 2002. Disponível em <http://www.sbb.org.br> acesso em 02 nov. 2016.




           




        





1 – Acadêmico cursando Bacharelado em Teologia na Faculdade Evangélica das Assembléias de Deus – FAECAD – Rio de Janeiro – ruiluizeto@hotmail.com

1 – STRONG, James. Dicionário Bíblico Strong, São Paulo: publicada por Sociedade Bíblica do Brasil, 2002.
2 – SANTOS, João Batista Ribeiro. Dicionário Bíblico, São Paulo: ed. Didática Paulista, 2006. p. 164.
3 – SANTOS, João Batista Ribeiro. Dicionário Bíblico, São Paulo: ed. Didática Paulista, 2006. p. 48.
4 – SANTOS, João Batista Ribeiro. Dicionário Bíblico, São Paulo: ed. Didática Paulista, 2006. p. 135.
5 – STRONG, James. Dicionário Bíblico Strong, São Paulo: publicada por Sociedade Bíblica do Brasil, 2002.
6 – LEVÍTICO, In: Bíblia de estudo Anotada. Cidade Dutra, SP: Mundo Cristão, 2006. Cap. 2, vers. 13, p.103.
7 – LEVÍTICO, In: Bíblia de estudo Anotada. Cidade Dutra, SP: Mundo Cristão, 2006. Cap. 7, vers. 11, 12, 13, 14, p. 108.



domingo, 23 de abril de 2017

Trabalho acadêmico sobre o livro de Joel


  
Introdução

            Neste artigo iremos abordar o livro do profeta Joel, o segundo livro dos chamados profetas menores, um livro complexo de entendimento, pois, não tem precisão de data em seus escritos, alguns teologos dizem que se trata de um texto pós-exílico, outros trazem como pré-exílio, este último sendo considerado o mais provável.

YAMAKAMI[1] (1999, p.3483, grifo nosso), aborda que:

Mas, apesar de suas profecias terem sido dirigidas especificamente ao reino do sul, Judá, a sua mensagem é universal. Se aceitarmos a data mais antiga, então o seu ministério se deu durante o reinado de Joás (II Crô, 22-24). Assim sendo, é possível que tenha conhecido Elias, quando ainda era menino, e por certo era contemporâneo de Eliseu.

O livro de Joel é dividido em três capítulos com dois aspectos distintos, um nos mostra o juízo do Senhor em Jl 1:1-20; 2:1-17 e o outro faz abordagem apocalíptica em Jl 2:18-32; 3:1-21, faz uma advertência ao povo de Judá sobre a sua infidelidade a Deus e convida o povo ao arrependimento antes do Grande Dia do Senhor. Assim como todo livro profético traz uma mensagem daquilo que irá acontecer, no final sempre tem uma mensagem de restituição.

O seu contexto é muito rico, pois, irá trazer a devastação de uma praga de gafanhotos, sendo uma espécie pior que a outra, conforme escrito em Joel 1:4, “ O que deixou o gafanhoto cortador, comeu-o o gafanhoto migrador; o que deixou o migrador, comeu-o o gafanhoto devorador; o que deixou o devorador, comeu-o o gafanhoto destruidor.” Logo em seguida uma seca terrível, mas, a exortação do Senhor dá a oportunidade de arrependimento e redenção de um  povo que completamente assolado, pode se beneficiar da longaminidade de Deus, como vemos em Joel[2], “ Rasguai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei-vos ao Senhor, vosso Deus, porque ele é misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e se arrepende do mal.”Iremos abordar o contexto do livro do profeta Joel em cinco aspectos, tais como, Literário; Histórico; Cultural; Geográfico e Teológico.





Literário

         Não encontramos notas históricas sobre o profeta, seu ministério ou família, porém, entende-se que o livro é de autoria do próprio Joel, pelo o que está escrito em Jl 1:1, “ Palavra do Senhor que foi dirigida a Joel, filho de Petuel.” O significado donome de Joel (יוֹאֵל - hebraico.pro) é,O Senhor é Deus[3], ele foi um dos doze profetas chamados menores do Antigo Testamento, é chamado assim por conta dos escritos que possui ser pequeno, compondo-se de 73 versículos. No cânon das Escrituras hebraicas, Joel aparece como segundo livro entre os profetas menores, já Septuaginta o livro aparece sendo o quarto, sendo que na Bíblia hebraica são quatro capítulos e na tradução grega traz três capítulos. A maioria das nossas traduções e disposições, trazem como o segundo profeta menor e com três capítulos.

Vemos uma linguagem literal que nos levam ao entendimento que a praga dos gafanhotos, foi um juízo de Deus, usando a natureza para trazer a devastaçãodas plantações, trazendo fome ao povo de Judá, outros intérpretes irão dizer que é uma linguagem metafórica, nos arremetendo a pensarmos queé na verdade um grande exercíto,invadindo a nação, conforme descrito em Jl 1:6, “ Porque veio um povo contra minha terra, poderoso e inumerável; os seus dentes são dentes de leão e ele tem os queixais de uma leoa.”Argumentos não fortificados pelo fato que no capítulo 2, verso 25, o Senhor diz que trará a restituíção de tudo aquilo que os gafanhotos consumiram.

A embriaguez é o único pecado que conseguimos identificar no livro do profeta, no versículo 5 do capítulo 1, “ Ébrios (quem é viciado em bebida alcoólica, DICIO - dicionário online), despertai-vos e chorai; uivai, todos os que bebeis vinho, por causa do mosto, porque está ele tirado da vossa boca.” Não se sabe o motivo real, mas o povo estava em pecado e precisa se arrepender e se converter ao Senhor, conforme encontramos em Joel 1:14 e 2:12.Um cenário desolador, o país sem alimento, a vide seca, a figueira murcha todas as árvores do campo secaram, onde até os animais sofreram com fome e seca, tudo ficou assolado e destruído. O profeta Joel pede ao povo que façam jejum, chore, lamente e clame a Deus, para que os sacerdotes convoquem a nação para o arrependimento. Com isso trazendo o quebrantamento dos corações e conversão ao Senhor, assim Deus traz o livramento para todo o povo.

 Histórico

            A data do escrito do livro do profeta do Joel tem duas vertentes, prós-exílio e pré-exílio, alguns teologos defendem ter sido escrito após o cativeiro da Babilônia, por algumas expressões feitas por Joel no capítulo 2 verso 19, “ e, respondendo, lhe disse: Eis que vos envio o cereal e o vinho, e o óleo, e deles sereis fartos e vos não entreguerei mais ao opróbrio entre as nações.”Dando a entender a linguagem de que o povo foi restituído, ao qual o Senhor teria livrado das nações inimigas.

Quem defende a tese prós-exílica tenta ilustrar que a praga de gafanhotos é um simbolismo sobre a invasão dos assírios, babilônios, gregos e romanos, se pensarmos nisso quanto aos dois últimos podemos tentar fazer algum tipo de congequitura ou alegoria do texto de Joel 1:4, porém em relação aos dois primeiros se torna completamente inviável, pois, surgeria uma pergunta simples: Para que Deus iria falar através do profeta algo que já aconteceu?

Porém o mais correto a afirmar é que ele tenha vivido no tempo de Joás, rei de Judá em 839 – 800 a.C., ou seja, muito antes do cativeiro, sendo assim é provável que Joel escreveu o livro em 835 – 830 a.C. Uma forte comprovação desta época que encontramos em alguns profetas pré-exilícos como Jeremias e Amós, tratarem praticamente com a mesma linguagemque Joel usa em seu oráculo, sendo estes parecem ser posterior a Joel, como segue abaixo:

Joel 1:15 – Amós 5:18;19

Joel 2:20 – Jeremias 4:6

Quanto a sua veracidade histórica, não há discussões, o profeta é mencionado no dia de Pentencostes, após a descida do Espírito Santo no NT , assim dito por Pedro[4], se referindo a Joel[5]:

            ATOS, cap.2, vers. 16 - 21.

                        Mas o que ocorre é o que foi dito por intermédio do profeta Joel: E acontecerá                                      nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu Espírito sobre toda carne;                                               vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos jovens terão visões, e sonharão                                               vossos velhos; até sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei do                                    meu Espírito naqueles dias, e profetizarão. Mostrarei prodígios em cima no céu e                                         sinais embaixo na terra: sangue, fogo e vapor de fumaça. O sol se converterá em                                              trevas, e a lua, em sangue, antes que venha o grande e glorioso Dia do Senhor. E                                       acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.



            Um acontecimento da história, trazendo um peso de importância para um profeta que não temos muitas informações quanto a sua origem ou profissão, mas extremamente relevante quanto a sua canonicidade. Outro ponto que podemos dizer que a época que Joel viveu os reinos pareciam que já estavam divididos, pois, em sua pofecia ele menciona apenas Jerusalém – Judá, como descrito em Joel 3:20 “ Judá, porém, será habitada para sempre, e Jerusalém, de geração em geração”.



 Cultural e Geográfico

         A cultura apresentada no livro do profeta Joel mostra que o povo judeu tinham sua cultura tradicional, como agricultores e pecuáristas como podemos encontrar em Jl 1:10-12 e Jl 1:18. Pela linguagem que o profeta apresenta no texto, podemos pensar que Joel era um homem do campo, como descrito no capítulo 1 verso 7, “ Fez de minha vide uma assolação, destroçou a minha figueira, tirou-lhe a casca, que lançou por terra, os seus sarmentos se fizeram brancos.”

            Se não temos certeza, quanto a sua data exata, contexto histórico ou de qual genealogia pertencia o profeta, uma coisa conseguimos ter a certeza, que Joel profetizou em Jerusalém para o povo de Judá, pelos elementos apresentados como Casa do Senhor ( Jl 1: 13-14 ), dizendo como a habitação ou o templo, onde era localizado em Judá.



 Teológico

         Podemos dividir o livro em dois pontos distintos a desolação ( Jl 1:2-2:17 ) e o livramento ( Jl 2:18-3:21 ), o Senhor fala através do profeta algo que por gerações seriam transmitidas, dos versículos 2 até 12 do capítulo 1 do livro de Joel, irá nos retratar o caráter da desolação causada pelas as quatros espécies de gafanhotos, onde as plantações ficaram completamente destruídas, isso nos mostra como Deus se utiliza da natureza para trazer o juízo ao homem. O profeta exorta os sacerdotes a se humilharem diante do Senhor, pois a sua tarefa para com o trabalho no templo ficou totalmente comprometida pela falta dos cereais para oferta de manjares, além de dar instruções para fazer jejuns, convocar o povo para clamarem ao Senhor, conforme descrito em Joel 1:12;13:

Cingi-vos de pano de saco e lamentai, sacerdotes; uivai, ministros do altar; vinde ministros de meu Deus; passai a noite vestidos de panos de saco; porque da casa de vosso Deus foi cortada a oferta de manjares e a libação. Promulgai um santo jejum, convocai uma assembléia solene, congregai os anciãos, todos os moradores desta terra, para a Casa do Senhor, vosso Deus e clamai ao Senhor.



            Em Joel 1:15-20, o profeta irá mostrar a fotografia da devastação, descrevendo ao povo toda a situação que se encontrava a terra de Judá, pela primeira vez a mencionado o Dia do Senhor (Jl 1:15), todo alimento perdido, uma seca terrível onde o sofrimento chega até aos animais, bois inquietos e ovelhas perecendo, pois não tinha mais pasto, queimadas sufocam a paisagem, um verdadeiro caos onde o próprio Joel[6] começa a clamar ao Senhor, “ A ti, ó Senhor,  clamo, porque o fogo consumiu os pastos do deserto, e a chama abrasou toas as árvores do campo. [...] porque os rios se secaram, e o fogo devorou os pastos do deserto.”

            Com o cenário deste jeito, Deus usa o profeta Joel, para transmitir uma desvastação que ainda há de vir, começa uma mensagem escatológica, onde os sacerdotes tocam as trombetas, convocando todos os moradores da terra, para o Dia do Senhor, um exercíto é retratado como nunca antes visto, onde na lhe escapa ( Jl 2:2-11).

            Deus convida ao povo ao arrependimento genuíno a Ele, velhos, crianças de colo e até as que mamavam ainda, os sacerdotes precisariam interceder ao Senhor com orações e com choro, assim se covertendo a Deus com corações contritos, como exortação descrita em Joel 2:12-13:

Ainda assim, agora mesmo, diz o Senhor: Covertei-vos a mim de todo o vosso coração;e isso com jejuns, com choro e com pranto. Rasguai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei-vos ao Senhor, vosso Deus, porque ele é misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e se arrepende do mal.



            O homem nestas condições poderia sim responder toda aquela situação de devastação e e cerco de um exercíto poderoso com o arrependimento sincero e com isso Deus poderia mudar a sorte do seu povo, conforme encontramos em Jonas 3:10, “ Viu Deus o que fizeram, como se converteram do seu mau caminho; e Deus se arrependeu do mal que tinha dito que lhes faria e não o fez”.

            A partir do capítulo 2 versículo 18 começa o relato do livramento de Deus para com o seu povo, toda restituíção daquilo que havia se perdido, demostrando que o Senhor é zeloso em relação ao seu povo, a promessa do livramento imediato e do livramento futuro, aquilo que ainda irá acontecer ainda, confirmando a sua mensagem escatológica. O profeta descreve tal zelo e cuidado de Deus, tudo isso após o arrependimento do povo, e o Senhor demostrando todo seu amor e benevolência retira o inimigo e restiuí do campo, pois Judá era uma região agrícola, assim Deus volta a demonstrar o seu favor para com o seu povo. No oráculo de Joel, aparece a efusão[7] (expansão; demonstração viva dos sentimentos íntimos) do Espírito Santo, o que aconteceu na festa de Pentecostes (Atos 2:16-21) e que ainda irá acontecer, quando Israel reconhecerá Jesus como o seu Messias em sua segunda vinda, como encontramos descrito em Zacarias 12:10, “ E sobre a casa de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém derramarei o espírito da graça e súplicas; olharão para aquele a quem traspassaram; pranteá-lo-ão como quem pranteia por um unigênito e chorarão por ele como se chora amargamente pelo primogênito.”

            Trazendo todo o seu juízo e consumação de Deus, o livro de Joel no seu capítulo 3, mostra tudo aquilo que há de vir acontecer. Em Jl 3:1 nos leva a Mateus 24:31, “ E ele enviará os seus anjos, com grande clangor de trombeta, os quais reunirão os seus escolhidos, dos quatro ventos de uma a outra extremidade.”, e fará julgamento no vale de Josafá, ou vale da Decisão ou Armagedom ( ref. Mateus 25:40;45; Ap 16:14; Ap 19:14). Joel descreve o Dia do Senhor será o dia do reinado do Messias em seu reino milenar sobre a terra.



Conclusão

            Vimos que o livro do profeta Joel não podemos precisar a data exata do seu escrito nem que época ele viveu ou qual é a sua origem no povo de Deus, porém, um livro com uma riqueza de juízo de Deus para com o ser humano, a chance da redenção e do arrependimento, a restituição de tudo que se perdeu e a consumação completa do grande Dia do Senhor. Nos ensina que a salvação sempre precisará vir mediante a invocação do nome do Senhor, que se perseverarmos até o fim seremos salvos e a promessa que o nosso consolador seria enviado para nos convencer de todo o pecado e de todo o juízo. Contém uma mensagem de esperança para os escolhidos do Senhor, mesmo quando um exercíto poderoso virá contra os seus, mas Deus tem a promessa do livramento para o seu povo mesmo que circunstâncias contradizem tal fato, em proteger aqueles que Ele já tem preparado um reino mesmo antes da fundação do mundo.



Referências Bibliográficas



AUDIÑACH, Pablo R. – Introdução hermenêutica ao Antigo Testamento, São Leopoldo,RS: Sinodal, 2015.



FERREIRA, Aurélio B.H. – Mini Aurélio, o dicionário da língua portuguesa. 7 ed. Curitiba, Pr. Positivo, 2008





YAMAKAMI, Lucy – Introdução ao Antigo Testamento, São Paulo, SP: ed. Vida Nova, 1999.





BÍBLIA de estudo Anotada Expandida. SP: Mundo Cristão, 2006.











DICIONÁRIO HEBRAICO <http://www.hebraico.pro.br/q_dicionario.asp>. Acesso em 04 nov. 2016.







1-YAMAKAMI, Lucy – Introdução ao Antigo Testamento, São Paulo: ed. Vida Nova, 1999.
2-JOEL. In: Bíblia de estudo Anotada. Cidade Dutra, SP: Mundo Cristão, 2006. Cap. 2, vers. 13, p. 845.

3 – RYRIE, Charles – comentarista do livro de Joel na Bíblia de estudo Anotada. Cidade Dutra, SP. Mundo Cristão, 2006, p.843.

4 – ATOS. In: Bíblia de estudo Anotada. Cidade Dutra, SP: Mundo Cristão, 2006. Cap. 2. Vers 16,17,18,19,20,21, p. 1051 e 1052.
5 – JOEL. In: Bíblia de estudo Anotada. Cidade Dutra, SP: Mundo Cristão, 2006. Cap. 2. Vers 28,29,30,31,32, p. 845.
6- JOEL. In: Bíblia de estudo Anotada. Cidade Dutra, SP: Mundo Cristão, 2006. Cap. 1. Vers 19;20, p. 844.

7- Ferreira, Aurélio B.H. – Mini Aurélio, o dicionário da língua portuguesa. 7 ed. Curitiba, Pr.Positivo, 2008, p.334.

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